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  • Ernesto Araújo

Virtudes e virtudes


A tolerância não construiu as catedrais, quem construiu foi a fé.


Tolerância está muito bem, mas você precisa primeiro ser você mesmo para poder tolerar o outro.


Tolerância não deveria significar que você deva esvaziar-se de sua essência.

Há virtudes positivas e negativas. Precisamos das duas, mas as positivas são fundamentais, as negativas vêm depois, para regulá-las. Virtudes positivas são o amor, a vontade, a ambição, o desejo, o orgulho, a coragem, o espírito de luta, a determinação, a fé, a esperança, a caridade (que significa amor) e tantas outras. Virtudes negativas, ou regulatórias para chamá-las assim, são a tolerânia, a prudência, a temperança, a moderação, a humildade, a serenidade, a concórdia. As positivas concebem e erguem o edifício, as negativas o administram e mantêm. As positivas afirmam, as negativas evitam que as primeiras se percam no excesso e desmesura, na obsessão ou na temeridade. A prudência regula a coragem, a humildade regula o orgulho, e assim por diante.


Hoje, nesta era pós-moderna, a cultura globalista dominante despreza as virtudes positivas e absolutiza as virtudes negativas ou regulatórias, as quais prefere inclusive denominar “valores” e não virtudes, talvez porque a palavra “virtude” venha de vis, força, e por essa etimologia evoque mais o universo das virtudes positivas do que das regulatórias. O globalismo erige assim um edifício de vento, sem estrutura, um edifício que apenas se nega e se vigia o tempo todo, mas que não existe concretamente, porque foram apagadas e banidas as virtudes capazes de o construir. Não adianta chamar as virtudes negativas de “valores” e ficar repetindo “valores, valores, valores”. Cada vez que se aponta no globalismo o seu materialismo primário, sua concepção mecânica do ser humano, sua falta de sangue nas veias, o globalismo se defende indignado, invocando os “valores”. Caro globalismo, os “valores”, tais como tu os concebes e praticas, não têm consistência, são roupas penduradas no armário sem ter ninguém de carne e osso que as vista. Pior, os teus valores sufocam as virtudes. Quando alguém começa a amar, por exemplo a amar o seu país, chegas logo tu, globalismo, e ordenas que ela pare com isso, em nome da tolerância. Se a pessoa insiste, tu a acusas de xenofobia. És tu, globalismo, és tu que não toleras nada, não toleras ver despontar no chão algo de bom e puro e que aspire ao alto, mas vens imediatamente para jogar cimento em cima.


O globalismo – ou seja, a configuração atual do marxismo – é uma enorme empresa de desmatamento da alma.

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