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  • Ernesto Araújo

Sequestrar e perverter


A tática da esquerda consiste essencialmente no seguinte: sequestrar causas legítimas e conceitos nobres e pervertê-los para servir ao seu projeto político de dominação total.


A causa ambiental é um bom exemplo. Quem pode ser contra a preservação da natureza e a utilização responsável de seus recursos? A causa ambiental foi lançada pelos escritores românticos do final do Século XVIII e começo do Sécuo XIX, um movimento conservador por excelência, surgido em reação à irrupção da esquerda no mundo sob a forma Revolução Francesa, cuja proposta era destruir a natureza – começando pela natureza humana. Ao longo do tempo, entretanto, a esquerda sequestrou a causa ambiental e a perverteu até chegar ao paroxismo, nos últimos 20 anos, com a ideologia da mudança climática, o climatismo. O climatismo juntou alguns dados que sugeriam uma correlação do aumento de temperaturas com o aumento da concentração de CO2 na atmosfera, ignorou dados que sugeriam o contrário, e criou um dogma “científico” que ninguém mais pode contestar sob pena de ser excomungado da boa sociedade – exatamente o contrário do espírito científico.


Esse dogma vem servindo para justificar o aumento do poder regulador dos Estados sobre a economia e o poder das instituições internacionais sobre os Estados nacionais e suas populações, bem como para sufocar o crescimento econômico nos países capitalistas democráticos e favorecer o crescimento da China. (Parte importante do projeto globalista é transferir poder econômico do Ocidente para o regime chinês; parte fundamental do projeto de Trump é interromper esse processo, o que já está ocorrendo.) O climatismo é basicamente uma tática globalista de instilar o medo para obter mais poder. O climatismo diz: “Você aí, você vai destruir o planeta. Sua única opção é me entregar tudo, me entregar a condução de sua vida e do seu pensamento, sua liberdade e seus direitos indivuduais. Eu direi se você pode andar de carro, se você pode acender a luz, se você pode ter filhos, em quem você pode votar, o que pode ser ensinado nas escolas. Somente assim salvaremos o planeta. Se você vier com questionamentos, com dados diferentes dos dados oficiais que eu controlo, eu te chamarei de climate denier e te jogarei na masmorra intelectual. Valeu?”


O mesmo aconteceu com a causa dos direitos dos trabalhadores e a própria palavra “trabalho”. As reivindicações justíssimas dos trabalhadores a partir do Século XIX, uma vez sequestradas e pervertidas pela esquerda, vieram dar no PT, o “Partido dos Trabalhadores”. O PT simplesmente não tem trabalhadores. Nenhum trabalhador de verdade, do tipo pedreiro, encanador, eletricista, jamais foi visto sequer perto do PT. É um partido de burocratas sindicais, agitadores de vários tipos, intelectuais marxistas ou sub-marxistas e seus capachos na mídia e na classe artística. “Partido dos Trabalhadores”, portanto, é mais uma designação orwelliana entre tantas outras utilizadas pela esquerda, tão falsa e oportunista quanto a súbida mudança de cores da campanha de Haddad.


No Brasil, os trabalhadores de verdade, sequestrados pela esquerda, estão conseguindo libertar-se do cativeiro e não se deixam mais perverter. Hoje temos no Brasil o embate entre, de um lado, os trabalhadores, e do outro o “Partido dos Trabalhadores”.


De fato, o PT é tão “dos trabalhadores” quanto o coração de Haddad é verde e amarelo. No momento isso parece óbvio, o novo marketing petista é uma jogada ridícula. Porém, olhando toda a história da esquerda, essa mudança de cores deve preocupar-nos. Não deixemos que o PT faça com a nossa bandeira, com a nacionalidade, o mesmo que já fez com o meio ambiente, com o trabalho e com tantas coisas: sequestrar e perverter.

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