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  • Ernesto Araújo

Quem tem medo de fake news


O conceito de fake news foi popularizado por Donald Trump no ciclo eleitoral norte-americano de 2016, para denunciar o comportamento da grande mídia, que sempre trabalhou contra sua candidatura e, há muitos anos, vinha mostrando imensa parcialidade em favor do Partido Democrata nos EUA e empregando diferentes métodos para distorcer e manipular informações, mais do que inventá-las. De fato, a grande imprensa, tanto nos EUA quando no Brasil, vem-se especializando não tanto em mentir (embora às vezes minta), mas sobretudo em omitir. Na seleção dos fatos reportados, bem como na escolha de adjetivos e no tom utilizado, os órgãos do mainstream encontram sempre maneiras de criar mensagens favoráveis aos candidatos e ao discurso da esquerda.


Veja-se por exemplo esta reportagem da agência Reuters sobre o ocorrido em agosto último, em Pacaraima-RR: https://www.reuters.com/article/us-venezuela-brazil-border/tense-calm-on-brazil-venezuelan-border-after-anti-immigrant-riot-idUSKCN1L40LU Não parece haver ali nada falso no sentido estrito de invenção pura e simples, mas reparem, entre outras coisas, que a matéria só ouviu opinião de venezuelanos, nunca a dos brasileiros de Pacaraima. Quem dá voz apenas a um lado numa controvérsia não está mentindo, mas está falseando e direcionando a realidade.


Isso é fake news. Fake news é o poder da grande mídia de selecionar e reorganizar os fatos para induzir os leitores a uma certa reação pré-determinada. Quem é contra as fake news, como Trump, quer limitar esse poder da única maneira possível: chamando a atenção do público para sua existência e dando o máximo de liberdade para as fontes de informação alternativa, capazes de reunir e apresentar os pedaços de fatos que a grande imprensa recortou e jogou fora.


O problema é que a esquerda, como sempre faz, sequestrou um conceito bom e útil e o perverteu para servir aos seus propósitos. (Sequestrar e perverter, eis o lema e a tática principal da esquerda desde sempre: aplicaram-na aos conceitos de liberdade, igualdade, justiça e tantos outros, hoje tentam desesperadamente sequestrar e perverter o conceito de democracia.) A esquerda apoderou-se da expressão fake news e girou-a para o outro lado, passando a utilizá-la para atacar justamente as fontes alternativas de informação (redes sociais, Youtube, etc). "Cuidado com as fake News" passou a ser um pretexto para censurar e calar as vozes que tentam trazer ao público aqueles enormes pedaços da realidade que a grande mídia controlada pela esquerda desprezou, porque não correspondiam à narrativa que ela quer promover.


Na internet é onde estão hoje as vozes da liberdade, e somente pela liberdade se chega à verdade. A relação entre liberdade e verdade é íntima e profunda. A verdade liberta, e ao mesmo tempo a liberdade abre o espaço desimpedido da verdade. "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", como diz o Evangelho de S. João.


Não há nada mais democrático do que a internet e, por isso, o sistema dominante, em sua ânsia de preservar a dominação de uma elite com seus órgãos de informação administrada, se apavora. O sistema está louco para acabar com a liberdade de expressão na internet em todo o mundo, e usa o pretexto de que, na internet, aparecem muitas notícias falsas. De fato, aparecem. Porém, ao contrário do que pensa o sistema, as pessoas ainda preservam alguma inteligência e, quando vêm a foto de um gatinho digitando #PTnuncamais no computador, sabem que não foi o gatinho que realmente escreveu aquilo, mas sim a alma do povo brasileiro (embora seja mais provável que um gato escreva algo que faça sentido do que alguns pensadores de esquerda). Na internet há muitas notícias falsas, outras verdadeiras, e a beleza da coisa é que o homem tem a capacidade de pesquisar, conversar, raciocinar e finalmente distingui-las. Já na grande imprensa globalista, tudo é potencialmente falso, porque tudo obedece a uma narrativa-mestra que visa à preservação e expansão do poder da elite sobre as pessoas comuns. Hoje, as pepitas de verdade que às vezes brilham na grande imprensa oficial precisam, antes de acreditarmos nelas e as comprarmos pelo que dizem valer, ser averiguadas no maravilhoso bazar de pensamento e informação que constitui a internet – e não o contrário. A grande imprensa é uma espécie de economia centralmente planificada das ideias, enquanto a internet é um mercado livre das ideias, aberto ao espírito: ora, todos sabemos que o mercado livre é muito mais eficiente do que a economia planificada na precificação dos produtos, assim como também o é na aferição do valor-verdade contido nas informações.


Cabe notar, aliás, que os movimentos conservadores, nacionalistas, populares, espirituais de toda espécie começaram a se avolumar ao redor do mundo justamente quando surgiram e se difundiram as redes sociais (Facebook lançado em 2004, Youtube em 2005, Twitter em 2006). Faz menos de 15 que os indivíduos ganharam voz e que a grande mídia perdeu o monopólio na produção da informação, e nesses escassos 15 anos já avançamos milênios rumo à liberdade e à recuperação da verdadeira democracia em nações de todo o mundo. Imagine-se o quanto mais poderemos avançar para romper o sistema de controle psicossocial globalista se deixarem a internet continuar funcionando.


Claro que querem censurar a internet. Querem esmagar essa primavera da liberdade de informação, da criatividade, do pensamento que vai-se reencontrando com suas fontes profundas graças à comunicação aberta entre os seres humanos sem o intermediário da mídia com suas agendas ocultas. O conluio de uma certa elite político-econômica com a mídia manipuladora e a classe intelectual marxista não vê a hora de desligar o interruptor da internet autêntica, sob o pretexto de combater as fake news, sob a desculpa incrivelmente cínica de proteger a democracia. Já viram alguma ditadura que, ao reprimir a livre expressão de seus súditos, não diga que os está protegendo da disseminação de notícias subversivas? Nenhuma ditadura admite: "eu vou reprimir todo mundo porque eu quero que os meus opositores calem a boca". A ditadura sempre diz: "eu vou combater essas notícias falsas que circulam por aí – que horror! – dizendo que eu sou uma ditadura".


A coisa mais fake do mundo é quando o poder diz que vai combater as fake news para defender a democracia. Não caia nessa. Acredite no vídeo que mostra um cachorro traduzindo as peças de Shakespeare, mas não acredite que o sistema quer te censurar para te proteger.

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