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  • Ernesto Araújo

Os ignorantes e os instruídos

Ernesto Araújo


O povo é muito mais são e sábio do que a classe instruída.


Talvez justamente por não passarem por uma escolarização emburrecedora, destinada a embotar as capacidades cognitivas do ser humano, os brasileiros sem instrução enxergam a realidade, inclusive e sobretudo a realidade política, com muito mais clareza do que as pessoas com "nível universitário" e são muito mais capazes de identificar os reais interesses do país e posicionar-se em sua defesa.


Talvez por não haverem sido moídos por uma educação cínica e anti-patriótica onde se ensina uma história sem heróis e onde professores sub-marxistas tentam criar pequenos militantes facilmente manobráveis, os brasileiros sem instrução têm amor ao Brasil, um amor incondicional e absurdamente esperançoso, ao contrário das classes intelectualizadas, que se acham muito inteligentes ao repetirem a sua "preocupação" com o nacionalismo e o populismo e para as quais os símbolos nacionais são coisa de "fascismo" e de "regime autoritário". Os intelectuais não sentem amor e, como não conseguem entender o amor que os outros sentem, atribuem o nacionalismo ao “medo” ou à “xenofobia”.


Para os pobres, a nação brasileira e a fé cristã são tudo o que possuem para ligá-los a uma realidade melhor, superior, mais autêntica. Os instruídos não precisam de pátria nem de Deus, para eles tanto faz, nada os liga a nada, em sua permanente autossatisfação e sentimento de superioridade.


Os "ignorantes" podem não entender a sintaxe do hino nacional, mas entendem perfeitamente o sentido inspirador e a beleza profunda quando cantam "Brasil, um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança à terra desce". Os instruídos talvez entendam a gramática (na hipótese de que, em suas escolas, a aula de análise sintática não tenha sido substituída por doutrinação ideológica), mas não fazem a menor ideia do que essas palavras significam.


Na campanha eleitoral brasileira, hoje, vemos os instruídos preocupados unicamente com duas ou três frases pronunciadas por Bolsonaro ou pelo General Mourão. Repetem essas frases nos seus restaurantes e teatros e competem para ver quem mais se indigna. (Só não se dão ao trabalho de analisar o contexto das frases, é claro, porque analisar uma expressão no seu contexto é tarefa complexa, a exigir as faculdades cognitivas que os vários níveis de educação lhes retiraram.) Dizem que jamais votariam num candidato que disse isto ou aquilo sobre "as mulheres" ou "os gays". Para eles, mulheres ou gays não são indivíduos realmente existentes, mas categorias políticas, personagens chapados numa novela esquerdista com um enredo absolutamente primário, que jamais satisfaria qualquer pessoa dotada de boa-fé e curiosidade intelectual.


Os instruídos não têm culpa, foi o sistema que os fez assim. Muitos estão saindo da caverna, olhando o mundo pela primeira vez à luz do sol, percebendo que tudo o que aprenderam até hoje era um mecanismo de controle mental a serviço de um projeto torpe de poder.


O povo já saiu da caverna. O povo não sabe quem é Platão mas entende Platão e vive ao sol da verdade. Os instruídos até ouviram falar em Platão, mas preferem viver no escuro. O povo entende que qualquer expressão tem um contexto, compreende que a realidade é algo muito mais complexa do que um slogan politicamente correto.

O povo escolhe seu candidato pensando no futuro da nação, essa nação que ele ama e em cuja construção deposita sua convicção de que a vida apesar de tudo tem um sentido para além da materialidade presente. Possui um sentimento intuitivo da história infinitamente mais vigoroso e intelectualmente penetrante do que os instruídos.


Os instruídos vão votar por sua repulsa a uma frase. O povo vai votar por seu amor ao Brasil.


Os instruídos estão presos no calabouço mental nominalista que a pós-modernidade liberal-marxista criou. Organizam seu pensamento em torno de palavras que só existem em um universo fechado onde a realidade não entra. Não sabem usar a linguagem para comparar, estabelecer nexos entre fenômenos diferentes, investigar a realidade. São desprovidos de racionalidade ou curiosidade intelectual. Fazem o que aprenderam por reflexo condicionado: diante de cada palavra, apresentam uma determinada reação emocional mandatória. Mostram a indignação ou a admiração que são instruídos a mostrar. "Dizem aquilo que acham que devem sentir", como dizia Fernando Pessoa ao criticar os poetas medíocres, aos quais opõe o poeta superior, que simplesmente "diz o que sente".


O povo diz o que sente, não o que aprendeu que deve sentir. O povo pensa. O povo está ainda livre do paupérrimo jogo de palavras nominalista. O povo se relaciona com a realidade, não com as palavras, e sua reação aos fatos e fenômenos resulta de sua experiência e de sua razão, de uma complexa interação entre vida exterior e vida interior.


Os instruídos são todos eles materialistas, pois ensinaram-lhes que não existe nenhuma realidade transcendente. O povo "ignorante", ao contrário, sabe que existe a vida do espírito, sabe que existe a alma, inclusive a alma de uma nação, e nisso está em companhia de todos os grandes pensadores da história humana.

Os instruídos, manipulados pelo vírus mental que a esquerda plantou em suas cabeças, roboticamente votarão – por causa de uma ou duas frases – para devolver ao poder um sistema de roubo sistemático e crime organizado que destrói o Brasil. O povo – porque pensa e sente – votará em Bolsonaro.

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