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  • Ernesto Araújo

O que está em jogo

Ernesto Araújo


É um equívoco dizer que o eleitor brasileiro não se interessa por política externa e que por isso as relações internacionais não aparecem como tema de campanha eleitoral.


O que há é diferente: o complexo midiático bem-pensante não quer que o eleitor se interesse por política internacional. O sistema não quer que o brasileiro saiba que o Brasil está, hoje, chamado a participar de uma gigantesca luta mundial, que se desdobra em vários aspectos:


· A luta pela preservação do princípio nacional e da própria nação como locus da vida social e espiritual do ser humano, contra a emergência de um mundo globalizado, sem fronteiras e sem identidades.


· A luta pela liberdade de pensamento, de crença e de expressão contra a ideologia globalista e materialista dos "valores", que tende a destruir a conexão do ser humano consigo mesmo e com toda a aventura intelectual da humanidade, em nome de alguns princípios politicamente corretos.


· A luta pela soberania econômica e política dos países, contra o domínio das cadeias produtivas de bens e contra o monopólio da circulação de informações por uma elite transnacional niilista, contra uma economia globalizada maoísta-capitalista centrada na China.


· A luta pela democracia efetiva e contra a reemergência do bolivarianismo na América Latina, o sistema regional de implantação do "Socialismo do Século XXI".

Se os brasileiros soubessem que tudo isso está em jogo em nossas eleições, estariam interessadíssimos em política externa.


Mas o cardápio de política externa servido pela mídia resume-se aos pratos mais insípidos e insignificantes para o futuro do país e do mundo. Fazem o brasileiro achar que política externa é um simples exercício retórico destinado a dizer, de mil maneiras diferentes, as mesmas obviedades e superficialidades a respeito da paz e cooperação – e aí concluem: "olha só, o brasileiro não se interessa por política externa".


As opções reais de política externa são: ou aliar-se aos países e forças que lutam contra o globalismo, ou deixar que o Brasil, junto com todas as nações, desapareça na geleia geral de um mundo desnacionalizado e desespiritualizado (a nação é a casa do espírito!) e torne-se uma província da "pátria grande" socialista.


Em contraste, as opções que são oferecidas pela mídia e pelos especialistas são: nenhuma. Só é permitido discutir se vamos dizer que "o diálogo favorece a solidariedade" ou "a abertura ao outro favorece a tolerância". O caminho rumo à destruição da identidade nacional e à globalização econômica não é jamais questionado. Uma política cujo conteúdo central e objetivo último não pode ser discutido não é política, é apenas uma cortina de fumaça para continuar cedendo a cada dia um pedaço de soberania, um pedaço de orgulho, um pedaço de sentimento, cada dia mais um símbolo que não pode mais ser usado ou uma palavra que não pode mais ser dita sob pena de "xenofobia".


A esquerda, juntamente com o centro que não é centro porque na hora H faz sempre o que favorece a esquerda, usa o seu controle da mídia e da academia para ocultar ao brasileiro o que está em jogo nas eleições, em relação à nossa inserção internacional: se o Brasil combaterá por um mundo de nações e de pessoas livres, ou se continuará deixando-se levar para um império global sem amor e sem apego, onde impera um programa de controle político-mental que aniquila a personalidade de pessoas e povos para melhor dominar.


Se o brasileiro acha que política externa é discurso na ONU, não admira que não se interesse por isso. Mas ao perceber que a política externa é a luta pelos rumos da humanidade, onde o Brasil com seu tamanho e sua população tem a obrigação de posicionar-se, o brasileiro não ficará indiferente. Pois o brasileiro é um povo corajoso, rebelde, forte, impetuoso e, se lhe mostrarem a batalha titânica que está sendo travada, ele jamais ficará de fora.


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