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  • Ernesto Araújo

Mas se ergues da justiça a clava forte



Algumas reflexões sobre a carreata pró-Bolsonaro em Brasília, com 25.000 carros, em 30 de setembro:


Não vi ódio em ninguém, em nenhum instante. O movimento popular por Bolsonaro não se nutre de ódio, mas de amor e de esperança. As pessoas sorriem e celebram. Há um clima de congregação, uma energia coletiva impressionante, uma presença. Só me lembro de uma atmosfera cívica desse tipo em duas ocasiões: a campanha das Diretas Já em 1984 e o movimento pelo impeachment em 2016. É a primeira vez, portanto, que este oceano profundo, obscuro, poderoso de sentimento coletivo, ruge desta maneira em uma situação eleitoral. Isso significa que se trata de muito mais do que uma eleição, de uma escolha entre diferentes projetos para a pátria. Trata-se de uma luta pela sobrevivência da pátria.


Por isso, se é verdade que não há ódio, sente-se por outro lado uma tensão no ar. Uma angústia, calada, difícil de expressar: será possível que podem roubar esta eleição ao povo brasileiro? Uma angústia que nasce talvez da noção clara de que só temos esta chance. Não há aquela leveza que proviria de pensar: “bem, se perdermos esta, daqui a quatro anos tem outra”. As pessoas sabem que não tem outra.


O principal símbolo da campanha de Bolsonaro é a bandeira nacional, muito mais do que as bandeiras, faixas ou camisas do próprio candidato. As campanhas-mortadela da esquerda não usam a bandeira nacional, ou quando raramente a usam é com nojo e por cálculo político. O ser humano vive de símbolos, não só de pão, e as pessoas sabem que morrerão de fome simbólica (e muitas também de fome real, como na URSS de Stalin, na China de Mao e na Venezuela de Maduro) se o outro lado triunfar. Sabem que a bandeira, o nome e o amor do Brasil serão arrancados de sua mão, de sua boca, de seu coração se o PT vencer. A bandeira nacional é o símbolo da campanha de Bolsonaro não por acaso, mas porque as pessoas sabem que a luta não é entre dois partidos, é entre a pátria de um lado, a pátria livre, e a negação da pátria de outro, a escravidão política e ideológica, os grilhões que os criminosos do PT, soltos ou encarcerados, nos preparam.


Assim, não há ódio, mas há luta. O cristão não deve odiar os seus inimigos, são pecadores como nós, mas isso não significa que não deva odiar e combater o mal. Vi muita gente fazendo com as mãos o gesto de atirar. Sorrindo, mas sabendo que, no fundo, estão no momento mais sério de sua vida cidadã. Isso não significa que queiram matar ninguém. Significa que queremos lutar pela liberdade. Podem dizer o que quiserem. Significa o desejo de reassunção do poder pelo povo brasileiro, através do projeto político que hoje o representa – e a arma, desde toda a eternidade, é um símbolo do poder, da segurança e da justiça. A justiça tem numa das mãos a espada. Não quer dizer que a justiça vai sair decepando cabeças. Significa: o poder é meu. Não adianta a balança da equidade na mão esquerda sem a espada flamejante na mão direita. O hino nacional fala de bosques e campos floridos e de uma vida serena, mas em certo ponto interrompe todo esse aconchego e proclama: “mas se ergues da justiça a clava forte, verás que o filho teu não foge à luta”. A mão fazendo o gesto de atirar é a pátria-mãe erguendo a clava forte! E não esqueçamos que Jesus, o príncipe da paz, disse em alto e bom som: “não vim trazer a paz, mas a espada”.


Arma só é símbolo de violência na mão de bandido. Na mão de pessoas de bem, arma é símbolo de orgulho, confiança, determinação e justiça.


Vi pessoas de todos os níveis de renda, de todos os tons de pele. Vi homens e muitas mulheres, se bobear mais mulheres do que homens. Pensei na cena final do Fausto de Goethe: Das Ewig-Weibliche zieht uns hinan. “O eterno feminino nos eleva ao alto.” A Virgem e a pátria-mãe gentil estão conosco.


Alegria por poder participar de algo tão grande, angústia por saber que não temos a opção de perder diante de um inimigo tão pérfido, confiança na justiça e no poder mais alto. A carreata continua até salvarmos o Brasil.


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