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  • Ernesto Araújo

A esquerda: de Robespierre ao PT

Desde a Revolução Francesa, a esquerda, em suas várias configurações sucessivas, teve como fio condutor e estratégia central a tomada de causas nobres e sua transformação em instrumentos de dominação e controle. (A esquerda é, fundamentalmente, um programa de dominação e controle social e mental da espécie humana.)


Inicialmente, os revolucionários franceses (inspirados no fanatismo anticristão de Voltaire e dos “iluministas” ou “iluminados” – embora Voltaire pareça ter-se arrependido no leito de morte) tomaram as causas da igualdade, liberdade e fraternidade, muito justas diante dos desmandos da aristocracia e da miséria do povo, e criaram o regime que ficou conhecido simplesmente como “o Terror”. Cerca de 40.000 pessoas foram guilhotinadas ou executadas de outra maneira, sob qualquer pretexto de deslealdade ao regime. O tecido social da França, até então o país mais poderoso da Europa, foi rasgado e enxovalhado. Os camponeses da região da Vendeia, fiéis à fé católica, que se revoltaram contra o novo regime anticristão, foram massacrados: 300.000 pessoas, dos 800.000 habitantes da região, foram mortas pelas forças do governo revolucionário, inaugurando o que viria a ser uma longa tradição de genocídios perpetrados pela esquerda. (Você nunca ouviu falar do genocídio da Vendeia, não é? Será que isso deve suscitar a vaga, muito vaga suspeita de que a esquerda domina toda a mídia e o ensino de história?)


Mas o pior é que toda essa violência brutal foi perpetrada em nome de valores elevados. Tudo em nome da virtude e da justiça. Aí reside o problema visceral da esquerda e o segredo de sua perpetuação malévola ao longo da história. Fazer o mal em nome do bem. Se fosse simplesmente chegar, matar todo mundo, escravizar, humilhar, destruir, sem nenhuma pretensão de ser outra coisa, tudo ficaria muito óbvio e nenhum sistema esquerdista jamais voltaria a aparecer. Mas a esquerda chega, mata, escraviza, humilha e destrói sempre arvorando os melhores princípios, sempre dizendo que é por amor e compaixão, por justiça e equidade, tudo para a construção de um futuro radiante.


O líder do regime revolucionário, Robespierre, afirmou em um discurso em 1794: “A alavanca do governo popular na revolução é, ao mesmo tempo, a virtude e o terror (...) O terror não é outra coisa senão a justiça rápida, severa, inflexível. O terror é, portanto, uma emanação da virtude (...), uma consequência do princípio geral da democracia.”


Observa-se que, na época, os líderes esquerdistas eram um pouco mais sinceros do que hoje. Violência era, admitidamente, parte integrante do programa. Mas você acha que esse pensamento desapareceu? Veja então o principal teórico marxista da atualidade, Slavoj Zizek, que tem um livro intitulado justamente Virtude e Terror, onde lamenta que a esquerda tenha-se tornado muito frouxa e recomenda a volta ao bom e velho terror de Robespierre como instrumento de libertação das massas.


A virtude pelo terror, o terror em nome da virtude, esse tornou-se o programa da esquerda ao longo do tempo.


No Século XIX a esquerda agarrou uma nova causa justa, a defesa dos trabalhadores industriais espoliados pelo capitalismo selvagem, e criou a doutrina marxista clássica, que viria a triunfar na Rússia, sob a forma do sistema soviético que matou dezenas de mihões de pessoas na coletivização forçada da agricultura e no Gulag, sob o princípio leninista de que, se a realidade conflita com a teoria, tanto pior para a realidade.


Ao longo do Século XX a esquerda penetrou os legítimos movimentos pela descolonização, distorceu-os e os transformou em regimes ditatoriais corruptos e genocidas em dezenas de países na África e na Ásia, chegando ao paroxismo no Camboja de Pol Pot, que matou algo entre 2 e 3 milhões de pessoas.


Nos anos 40 esquerda conquistou a causa do nacionalismo chinês que, com toda a razão, lutava para reconstruir uma China forte após um século de humilhações nas mãos do ocidente, e criou o regime maoísta que dizimou a população na Grande Fome artificialmente criada e instaurou a pior ditadura da história na forma da Revolução Cultural, um sistema de dominação que permanece até hoje, disfarçado de pragmatismo e abertura econômica.


Nos anos 70 a esquerda tomou o movimento democrático do Irã, que se erguia contra o autoritarismo do Xá, e o metamorfoseou no horrível fundamentalismo islâmico que veio a contaminar todo o Oriente Médio, oprimindo, perseguindo e assassinando milhões de pessoas, destruindo comunidades milenares, sem que ninguém possa falar nada porque todos os crimes islamistas ficam protegidos atrás do muro da “tolerância” erigido pela esquerda.


A esquerda, a partir dos anos 60, infiltrou-se na causa muito digna dos direitos dos imigrantes e criou a ideologia da imigração ilimitada que está hoje a ponto de destruir as sociedades europeias e a norte-americana.


Também nestas últimas cinco décadas, principalmente nos países ocidentais, a esquerda capturou a causa da igualdade racial, sugou a seiva vital desse movimento legítimo e o usou para criar um terror mais sutil, o terror da reprogramação psicolinguística das pessoas. Assim, a esquerda transformou o combate ao racismo e a luta pelos direitos civis dos negros na ideologia racialista, um novo apartheid onde as pessoas são divididas em grupos antagônicos de acordo com sua cor, onde o indivíduo não pode ter ideias próprias, por exemplo sobre a nação como entidade mais profunda do que as diferenças de grupo, porque isso é atentado à diversidade, onde dizer “eu gosto do meu país” é considerado um ato de supremacia branca. O aparato midiático-intelectual controlado pela esquerda estabelece o que é racista dizer, o que não é, segundo seus próprios critérios totalmente politizados, e com isso vai assassinando a liberdade de expressão e de pensamento, levando à guilhotina Platão e Aristóteles, hoje banidos do currículo de grandes universidades americanas junto com todos os grandes pensadores do passado porque suas obras, alegadamente, "criam ambiente negativo para pessoas de cor".


E, por último, a esquerda transformou a luta nobre e necessária pela igualdade de direitos entre homens e mulheres em um feminismo torpe, onde a mulher já não é mais um indivíduo, mas apenas um objeto político, um pretexto para obrigar as pessoas a votarem em candidatos de esquerda. Esse feminismo – que não tem nada de feminismo autêntico, mas constitui apenas uma ponta de lança dos movimentos esquerdistas – rebaixa a mulher a um nível de subserviência e desempoderamento jamais visto. No quadro armado por esse femarxismo, a mulher não pode pensar nos seus próprios interesses, no seu país, na sua família, na segurança, na integridade, na economia, na liberdade de crença e pensamento, e tentar identificar qual o candidato que defende tudo isso. A mulher do feminismo esquerdista é um autômato, está o obrigada a comportar-se unicamente como marionete política e rejeitar o candidato que a esquerda manda rejeitar. Essa mulher é um ser unidimensional, com uma função única na vida: levar o PT ao poder.


Em nome da virtude dos direitos iguais para a mulher, a esquerda quer instalar de volta o terror petista, parte integrante do terror globalista no qual as pessoas já não se revoltarão porque todas as palavras, pensamentos e sentimentos necessários para a revolta e para o desejo de liberdade terão sido extintos.

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